Ah! Como eu queria um dia qualquer. Pra não respeitar os pais de Judite. Pra engolir a seco, pra testar minha sorte, pra conseguir qualquer coisa ilícita, suja, sublime.
Um dia tolo de verão ou primavera. Que você não estivesse junto, eu compreendo, eu sempre te vejo a tarde, jogado sobre as coisas inúteis que você sabe o nome, que só você sabe o nome. Eu te vejo três noites por semana, compreendendo o que eu digo, sem conspirar contra as minhas palvras, sem repetir meus desejos, ou talvez somente para si mesmo, nessas mesmas noites assistindo o futebol.
Caindo na rede dos inimigos do vento.
Vendendo mentiras e rindo das tolices.
Comprando peixes num domingo; talvez sejam dias irreais aqueles que me visto de missa e caminho, quase noitinha com minha melhor amiga, quase na praia, quase nas coisas, quase mortos. Ou então a realidade rasgada da tranquilidade desses dias corrompa o pesadelo negro dos demais.
Não há nada para dizer sobre outros dias,que são de calendário, de muita gente, de muito ódio. Alguém me disse que não há nada para dizer sobre dia nenhum, a não ser que passam bem rápido, e que a maioria quer assim. Mas as maiorias são estúpidas.
Preciso de um decreto contra o dia-contagotas, contra o dia-semportas, preciso de dias que respirem janelas e inspirem velhinhas.
Preciso de dias com menos girassóis, com menos espinhos, com mais camaradas.
Há algo estranho sobre os outros dias: eles são dias demais.
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