Me espreita arranhando telhados
dou voltas e voltas com meu corpo em chamas
degola de toda calma gritar com os dedos
gritar pelas pedras pelas tintas pelas cores
a vontade passa quando há claridade
quando consigo ver teu corpo desaparece
teu peito branco como um pesadelo
teus olhos negros como a pele que me esconde
sempre há flores no jardins da culpa
seus matizes doem os olhos até a nuca
num corte abaixo pressinto a lama
amar e morrer viciar-se na sinuca
a voz cresce como pelos e machuca
disfarçada no teto uma vícera te chama
A pequena esfera encerra cores absurdas
os hieróglifos invisíveis das palmas
revesou seu significado entre moedas e sentenças
também foi o presente para alcelmos e dirceus
continuou no mundo por obrigação de matéria
continuou a vista por força da circunstância
sua substância tênue resvalou a sarjeta e inúmeras fogueiras
inconsciente é claro de seu destino e história
tal qual seus companheiros
na plateleira do antiquário
confesso que ainda estou triste com o fim do TWS, mas o JW sempre arranja um jeitinho de não me deixar tão choroso, como esse projeto com a Wanda Jackson.
confesso que nunca tinha ouvido bulhufas dessa senhorinha antes do Jack ressuscitá-la,
mas acho que essa é a intenção dele, né?
provavelmente essa é a mais bela voz que eu já ouvi. numa das mais belas canções já escritas. isso mostra como a fé é um sentimento bonito, quando não deturpado pela feiúra das mesquinharias dos que a tentam manipular.
Ah! Como eu queria um dia qualquer. Pra não respeitar os pais de Judite. Pra engolir a seco, pra testar minha sorte, pra conseguir qualquer coisa ilícita, suja, sublime.
Um dia tolo de verão ou primavera. Que você não estivesse junto, eu compreendo, eu sempre te vejo a tarde, jogado sobre as coisas inúteis que você sabe o nome, que só você sabe o nome. Eu te vejo três noites por semana, compreendendo o que eu digo, sem conspirar contra as minhas palvras, sem repetir meus desejos, ou talvez somente para si mesmo, nessas mesmas noites assistindo o futebol.
Caindo na rede dos inimigos do vento.
Vendendo mentiras e rindo das tolices.
Comprando peixes num domingo; talvez sejam dias irreais aqueles que me visto de missa e caminho, quase noitinha com minha melhor amiga, quase na praia, quase nas coisas, quase mortos. Ou então a realidade rasgada da tranquilidade desses dias corrompa o pesadelo negro dos demais.
Não há nada para dizer sobre outros dias,que são de calendário, de muita gente, de muito ódio. Alguém me disse que não há nada para dizer sobre dia nenhum, a não ser que passam bem rápido, e que a maioria quer assim. Mas as maiorias são estúpidas.
Preciso de um decreto contra o dia-contagotas, contra o dia-semportas, preciso de dias que respirem janelas e inspirem velhinhas.
Preciso de dias com menos girassóis, com menos espinhos, com mais camaradas.
Há algo estranho sobre os outros dias: eles são dias demais.