domingo, 30 de agosto de 2015

Balada




Balada


Desci a ladeira ao lado de um infeliz
era de manhã
o céu todo poluído
de azul lascado
de nuvens
de nada importa o deserto
o bolso finito e jeans
a camisa do flamengo
era o canto torto das calçadas
que eu entoava



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Mão






A Mão


A mão que pune o olho
observa
o corpo
ressente
reacende dor

guardo
no armário do quarto
todas as armaduras

este
não
não
aquele
sempre outro
ouro de qualquer
um

as invasões pisos pás pés
estupro
a porta
sempre fechada
reverbera




domingo, 9 de agosto de 2015

I




I


Peça ao taxista para te deixar no cruzamento
peça
caminhe voluntariosamente
de encontro
ao fluxo
violeta minueto de buzinas
longe da praia
ainda se ouve
a moça cantar

um jovem casal foi assassinado esta manhã
no Maranhão
em Porto Rico
em São Cristóvão
meus olhos estão cheios de imagens
cheios da letra da página do assunto da esquina
da cólera





terça-feira, 4 de agosto de 2015

Fala






Fala



Você fala
e
na verdade
eu baixo os olhos
aqui de camisa catraca e sinal fechado
vacilo no verbo
imperativo
me escondo
insujeito
sujeitado
na cama estreita
vejo um luar de vidro
ouço o vento pelas frestas
ouço um grito
lá longe
entre outras pernas